19 de fevereiro de 2012

Férias - Maryan Keyes

Vou começar a falar sobre os livros que tenho lido e o que eles me acrescentaram =D
O primeiro será Férias da Maryan Keyes... Não é o primeiro livro dela que li, mas por um motivo ainda desconhecido foi o que mais me tocou... Talvez por abordar um assunto tão sério e ir tão a fundo no emocional de uma personagem, dentro de uma história que supostamente era pra ser engraçada.



Rachel Walsh tem 27 anos e a grande mágoa de calçar 40. Ela namora Luke Costello, um homem que usa calças de couro justas. E é amiga - pode-se mesmo dizer muy amiga - de drogas. Até que a sua vida vai para o Claustro - a versão irlandesa da Clínica Betty Ford. Ela fica uma fera. Afinal, não é magra o bastante para ser uma toxicômana, certo? Mas, olhando para o lado positivo das coisas, esses centros de reabilitação são cheios de banheiras de hidromassagem, academia e artistas semifissurados (ao menos ela assim ouviu dizer). De mais a mais, bem que já está mesmo na hora de tirar umas feriazinhas. Rachel encontra mais homens de meia-idade usando suéteres marrons e sessões de terapia em grupo do que poderia supor a sua vã filosofia. E o pior é que parecem esperar que ela entre no esquema! Mas quem quer abrir as janelas da alma, quando a vista está longe de ser espetacular? Cheia de dor-de-cotovelo (o nome do cotovelo é Luke), ela busca salvação em Chris, um Homem com um Passado. Um homem que pode dar mais trabalho do que vale... Rachel é levada da dependência química para o terreno desconhecido da maturidade, passando por uma ou duas histórias de amor, neste romance que é, a um tempo, comovente, forte e muito, muito engraçado.


Rachel está longe de ser uma "mocinha"... Mora em Nova York, e leva uma vida completamente desregrada, a base de drogas e álcool... E acha tudo normal, afinal de contas só usa drogas em eventos sociais, os quais parece que ela dá um jeito de ir todos os dias.
Não vou criticar a personagem, porque convivi de perto com usuários de drogas e sei como eles se comportam...
A grande questão do livro e que faz com que você torça a favor da Rachel, é justamente o fato da autora mostrá-la como ela é, com seus defeitos e suas qualidades, e como a visão de si própria vai mudando com o passar do tempo e com a ajuda de uma terapeuta que mete medo em qualquer vilão de Hitchcock. 
Essa consciência de como a sua vida foi vazia e inútil é algo realmente forte e que poucas pessoas são capazes de encarar. Essa sensação de insatisfação permanente faz com que tudo perca o brilho, o sabor... E não é preciso ser um viciado pra saber do que ela está falando ao descrever isso. 
Mas o bom é que ela chega lá, ela consegue superar seu vício, suas respostas erradas para as situações da vida e nos ensina que nunca é tarde para pedir perdão e perdoar. 
Eu gosto muito da Rachel, mesmo que ela seja destrambelhada e carente! Ela me lembra um pouco a mim mesma. E me dá esperança de que tudo ficará bem um dia... Não importa o tempo que passe pra isso ;)


Regiane Medeiros

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